Um belo livro sobre uma enciclopédia do futebol


Por Juca Kifouri
 
A Seleção Brasileira para a Copa de 1962 estava sendo montada.
 
A convocação de Nilton Santos, na época com 37 anos, era contestada por muitos.
 
Mas um momento mudou a história: um Maracanã lotado ovacionou, por vários minutos, o gol marcado pelo craque.
 
A torcida carimbava o passaporte de Nilton rumo ao bicampeonato mundial.
 
Esta é apenas uma das muitas histórias contadas no livro O VELHO E A BOLA A trajetória de Nilton Santos nas crônicas de Jacinto de Thormes, de Maneco Muller (o jornalista que deu vida ao pseudônimo).
 
São 40 crônicas escolhidas e organizadas pelo jornalista Rafael Casé, que também assina as notas que compõem o livro.
 
Foram retiradas da série de crônicas que leva o mesmo nome do livro, publicada no jornal Última Hora no ano de 1963 e traçam um rico panorama do futebol brasileiro dos anos 1950 e 1960, com alegrias e dramas, talentos e malandragens, fama e decadência de craques inesquecíveis.
 
Os textos têm na trajetória do jogador do Botafogo, conhecido como Enciclopédia – apelido, inclusive, dado por Maneco Muller – seu fio condutor.
 
Amigos, Nilton Santos e Maneco Muller mantinham longas conversas, principalmente em Petrópolis, onde os dois tinham casa de campo e jogavam animadas peladas.
 
Foram estas conversas que geraram as crônicas selecionadas por Casé: um diálogo entre dois craques.
 
Maneco com sua máquina de escrever e Nilton com a bola nos pés.
 
A ideia de compilar os textos de Thormes surgiu quando Rafael Casé fazia uma pesquisa no acervo da UH e se deparou com uma das crônicas.
 
“Não parei mais de lê-las. Sabia que aquele material não poderia mais ficar escondido. Quando a família deu o sinal verde, tive a certeza de que aqueles textos preciosos voltariam a ser lidos por aqueles que amam a bola e as palavras”, conta o jornalista.
 
Além do mais, se trata de uma bela homenagem, já que o craque acaba de comemorar seus 88 anos.
 
O VELHO E A BOLA também resgata o lado de cronista esportivo de Maneco Muller, que sempre foi muito mais conhecido como Jacinto de Thormes, o colunista que revolucionou o jornalismo social no Brasil: antes dele, as “crônicas sociais” eram meras descrições dos eventos.
 
A partir de Thormes, virou colunismo social, com notas não apenas voltadas para o mundo socialite, mas que davam um panorama da sociedade (no sentido mais amplo) brasileira.
 
Entretanto, no mundo dos esportes, mais do que utilizar a objetividade jornalística, Muller fazia “literatura esportiva”, com uma narrativa descontraída em que conta “causos” em cima dos fatos. “É aí que se encontra o grande charme do livro: na narrativa de Maneco, na sua visão do futebol e de seus grandes protagonistas”, diz Casé.
 
Cerca de 30 fotografias de Nilton Santos, algumas clássicas, outras inéditas, complementam a história.
 
E, em vez de um prefácio tradicional, Casé optou por um depoimento do lendário Zizinho retirado de uma das crônicas: ele afirmou, após ver uma partida do lateral do Botafogo e da Seleção Brasileira, que tinha presenciado a maior atuação de um jogador de futebol em toda sua vida. Uma partida que, de tão impecável, era quase impossível de ser repetida.
 
Fone: Blog do Juca

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s