Crônica de Wellington Soares: Essas Pesquisas 2

mulher_feliz       Como esperado, a reação das mulheres foi grande em relação à crônica de domingo. As críticas partiram indistintamente de todas, não importando classe social e faixa etária. Em uníssono, taxaram-me de preconceituoso e equivocado. Afirmaram que as tais pesquisas, divulgadas por mim, só reforçam a cultura machista em que vivemos, ainda mais em se tratando de Piauí, onde os homens continuam tão primitivos quanto no passado. Mal sabem elas que tive acesso também, em primeira mão, a estudos científicos que elucidam o decálogo do universo feminino. Tomara que os marmanjos não me arranquem o restante de cabelos, e as mulheres encarem a vida com umas pitadas de humor.

Primeiro, que mulheres que falam pouco fazem menos sexo. Duas prováveis explicações: nunca ouviram a gritaria dos gatos à noite; ou, mais grave ainda, ignoram que o remelexo das ancas implica sussurros e palavrões. Afinal, os homens detestam transar com múmias, bem como só dormem após o ato na ausência de uma boa e prolongada conversa.

Segundo, que mulheres que adoram gastar dinheiro em compras são mais felizes. Fácil de entender: a felicidade não é um sentimento que chega de uma vez e permanece eternamente, mas algo que se experimenta aos poucos com sofreguidão e prazer. Ainda por cima, quando se tem o cartão de crédito generoso do marido e o espaço confortável e repleto de lojas dos shoppings.

Terceiro, que mulheres que demoram pouco a se produzir são fortes candidatas a perder seu amado. Por um único e simples motivo: as solteiras, que investiram bastante tempo, ficarão mais bonitas e atraentes. Logo, tendem a fisgar, na carência do sexo oposto no mercado, os homens das mulheres casadas. E como ninguém é de ninguém, segundo o ditado popular, é aconselhável não se cometer esse grave erro.

Quarto, que mulheres de bunda grande têm mais chances de conseguir marido do que as outras. Argumento plausível: atendem a tara do homem brasileiro. Basta observar as propagandas das TVs e a mulherada que aparece nas revistas masculinas. Pouco importa, aliás, se a mulher é inteligente ou não; dotada de bunda, de preferência avantajada, é o que interessa.

Quinto, que mulheres que casam com jogadores ricos, apesar de feios, são menos interesseiras e mais puras. Lógica do problema: resgatam esses marmanjos do onanismo perturbador da adolescência e os transformam em príncipes encantados na fase adulta. Não havendo dinheiro, portanto, que quite tamanha dívida. Além de que, beleza e sexo custam o olho da cara.

Sexto, que mulheres de olhos oblíquos são mais dissimuladas e perigosas. Prova inconteste: até hoje pairam dúvidas sobre Capitu, personagem de Machado de Assis, em relação a ter ou não traído Bentinho. Como as ressacas do mar, elas costumam arrastar os homens à desventura amorosa e ao infortúnio pessoal. Mas o que é o adultério nos dias atuais, quando homens se orgulham em ser cornos e estão organizados em sindicatos?

Sétimo, que somente mulheres tontas mexem nos pertences do amado, tentando descobrir suas escapulidas. Solução do paradoxo: desvendar o que se passa na sua cabeça, em duplo sentido, e não o que ele guarda nos bolsos e celular. Por conhecerem a obra de Nelson Rodrigues, as mulheres inteligentes evitam tal vexame, pois sabem que “homem fiel já nasceu morto”.

Oitavo, que mulheres que não exigem do marido, pelo menos 20 vezes ao dia, manifestação de amor, sofrem infarto com mais frequência. E o mais grave, do tipo fulminante, que não possibilita às coitadinhas uma segunda chance. Obviedade ululante: o coração é um órgão carente de afagos e carinhos, movido a grandes paixões. Do contrário, para sem dar nenhuma explicação.

Nono, que mulheres que sabem dirigir são ciumentas por natureza. Nem o automóvel da família querem dividir com o marido. Hipótese levantada: talvez vejam nos carros, em termos de paixão, uma adversária       bem mais perigosa que a loira do escritório que trabalha com ele. Daí não reclamar de deixá-lo e pegá-lo no emprego todo santo dia. Aprenderam desde cedo que homem e carro só não desviam do caminho sob vigilância rigorosa.

Décimo, que mulheres desprovidas de senso de orientação vivem bastante, chegando aos 90 anos sem grande esforço. Tirada filosófica: quando mais se perdem, mais se aproximam da insustentável leveza do ser. Que a existência não tem nada, contrariando escritor mineiro, de negócio perigoso, sendo apenas uma interminável distração cotidiana.

Maio de 2013

Wellington Soares é professor e escritor

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