“PSDB precisa se livrar da ‘síndrome Wall Ferraz”, diz cientista político

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O professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), doutor em Ciência Política, Cléber de Deus, analisou o cenário político piauiense em relação às eleições estaduais de 2014.

Ele acredita que de todos os possíveis pré-candidatos a governador, o atual vice-governador José Filho (PMDB) é aquele com prováveis menos chances de sair pelo campo governista, apesar de há algum tempo vir tocando em temas centrais para o desenvolvimento do Estado.

Sobre o ex-prefeito Sílvio Mendes, Cléber cita uma “síndrome de Wall Ferraz” que prejudica o PSDB a ir além no campo eleitoral do Piauí, e ressalta que não será a saída do tucano do partido, indo para o PP, que será responsável para que tal transformação o torne num politico com outro perfil.

O ex-governador e senador Wellington Dias (PT) tem como maior risco montar uma candidatura isolada, diferente da que fez quando conseguiu a reeleição em 2006.

Como o senhor avalia as movimentações políticas em relação ao pleito de 2014? Está havendo uma antecipação do pleito ou é natural que os partidos já visem se articular com outras siglas?

Cléber de Deus – Essa é uma questão recorrente quando em anos pré-eleitorais e não deveria mais causar surpresa.

As articulações são feitas durante todo o mandato e não somente nesse momento. O cálculo do ator político é racional: buscar a reeleição e montar as estratégias mais eficazes para viabilizar tal objetivo. Entretanto, não se deveria descuidar das metas preestabelecidas. Os governos e parlamentares podem muito bem realizar suas tarefas e obrigações, ou seja, os ditos programas que foram idealizados antes e durante seus mandatos. A questão que não pode ser esquecida e que o governo não pode entrar num estado de paralisia quando busca articulações visando à sucessão de seu mandato. Os políticos são profissionais. O núcleo de atuação é a politica. Portanto, não podem mesmo descuidar disso. O contraponto é não legar a plano secundário as questões administrativas.

Até agora, só três nomes são cogitados para disputar o Governo estadual: Wellington Dias (PT), Sílvio Mendes (PSDB) e Zé Filho (PMDB)? Quais seriam os pontos fortes e fracos de cada um?

C.D – Não é tão simples elencar pontos fracos e fortes desses potenciais candidatos. Wellington Dias já foi governador do Estado por duas vezes. Sílvio Mendes, por sua vez, gerenciou Teresina por quase oito anos. No primeiro caso, Wellington montou um esquema político muito forte para garantir sua governabilidade enquanto isso foi possível.

Atualmente, não é mais provável montar a mesma coligação política. A prova disso foi sua candidatura a prefeito de Teresina em 2012. Numa candidatura isolada não conseguiu derrotar as forças dominantes na política municipal teresinense. Sílvio Mendes acredita, numa atitude de extrema pretensão ou arrogância politica, que terá chances de ser eleito governador em 2014.

Realiza uma avaliação retrospectiva e a partir disso nutre e alimenta a ideia de que pode montar uma coligação eleitoral que lhe garanta êxito eleitoral. Parece cometer um enorme erro político quando se alça como uma grande liderança na arena politica estadual.

A obtenção de uma segunda colocação na eleição de 2010 para o governo deu-se, dentre entre coisas, pelo fato da estrutura politico estadual não possibilitar a construção de várias candidaturas competitivas. Tal raciocínio poderá leva-lo novamente a não perceber as nuanças da política piauiense.

No caso de José Filho, há algo curioso: é o politico que vem já faz algum tempo tocando em temas centrais para o desenvolvimento do Estado. Sua passagem pela FIEPI parece que lhe forneceu isso. Mas ainda é um ilustre desconhecido na politica piauiense. O eleitor o conhece? Além disso, enfrenta um problema nada simples: está no PMDB. Somente uma coisa é possível prever no PMDB: sua imprevisibilidade.

Sair do PSDB vai trazer, de fato, pontos a mais para Sílvio Mendes? Em que momento o PSDB se tornou um empecilho e não um trampolim para Sílvio?

CD – O PSDB torna-se um empecilho por não conseguir forjar lideranças políticas estaduais. O partido ainda atua na vigência de uma síndrome que precisa se livrar: a “síndrome Wall Ferraz”. Qualquer líder político ou membro do partido quer imitar o estilo de Wall Ferraz. É preciso que seus articulistas comecem a atentar para isso.

A principal característica dessa síndrome é o isolamento do tucanato em torno de dois ou três nomes. Não será a saída de Sílvio Mendes do tucanato para que tal transformação o torne num político com outro perfil. E, talvez, Sílvio Mendes seja um dos quadros do partido que menos queira adotar postura diferenciada.

O senhor acredita que novos personagens políticos podem surgir e disputar o Governo estadual? Ou o cenário já está definido?

C.D – Os nomes que podem ter chances eleitorais estão nesses partidos centrais. Políticos detestam competição. Não se fabricará uma nova liderança para ganhar a eleição de 2014 para o Palácio de Karnak. É ingenuidade apostar nessa tese.

A possibilidade de surgir um outsider não é grande na presente conjuntura política. Basta ver o simples quadro histórico eleitoral nas disputas estaduais. Ainda mais numa era sem oposição. Os partidos estão cada vez mais cartelizados.

No caso de Wellington Dias e Zé Filho, que chances o senhor vê dos dois saírem como candidatos pela base aliada de 2010? Ou deve haver um racha naquela grande coligação formada para apoiar Wilson Martins?

C.D – A base aliada de 2010 já não mais existe. Esta inteiramente fragmentada. Um dos problemas é esse: todos estão não base governista. Entretanto, os partidos têm interesses opostos. O PT tenta retornar ao governo estadual. Acredita que Wellington Dias, por liderar intenções de voto, fará uma aliança com o povo e vencerá a eleição. Esquece-se de uma coisa fundamental: é um partido sem penetração estadual.

Do Portal Meio Norte 17/06/2013

 

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